“A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção” (Sl 3.8).
Diante dos inimigos e dos desafios, o rei Davi tinha a certeza de que Deus estava do lado do seu povo. Salomão herdou do pai a confiança em Deus.Afirmou que “Deus supre os seus amados enquanto dormem” (Sl 127.2b). O apóstolo Paulo enfrentou bons e maus momentos.
Era experimentado e por isso escreveu aos Filipenses: “Meu Deus suprirá todas as vossas ecessidades”.
Jesus, ao falar aos discípulos, mostrou que tudo dependeria da confiança em Deus: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).
Mesmo com tantos exemplos bíblicos que podem nos levar a confiar em Deus, temos enfrentado muitos problemas que apontam para uma grave crise de confiança no Senhor. Estaria o Senhor satisfeito com nossas ações ministeriais? Estaria ele aprovando nossos projetos? Temos consultado o Senhor? Há espaço para o Senhor na hora do planejamento? Num momento de
insatisfação Deus usou o profeta Ageu para alertar o povo: “Considerai os vossos caminhos” (1.7).
Infelizmente tem sido comum encontrarmos líderes preocupados com as finanças de sua igreja. Pessoas que gostariam de fazer, mas estão sempre limitadas pela falta de recursos. Grande parte dos conflitos que existem hoje nos ministérios está relacionada às finanças. Verdadeiras batalhas estão sendo travadas. Pessoas escolhidas para administrar “espiritualmente” estão sendo influenciadas pela visão moderna de administração eclesiástica em que a provisão de Deus muitas vezes está sendo negligenciada. Deus continua a exigir do seu povo: “Considerai os vossos caminhos”.
Parece que muitos já não confiam mais no Deus que sustentou o Profeta Elias através dos corvos e de uma pobre viúva (1Reis 17); da capacidade divina de enviar diariamente o pão (maná) para saciar seu povo (Êx 16.11s).
Para muitos o nosso Deus mudou e passou a ser um Deus previsível, ansioso, tímido e incapaz de sustentar o avanço da sua obra na terra.
Deus disse a Moisés: “Eu sou o que sou”. Servimos a um Deus imutável e que pode todas as coisas. Não temos o que temer. Precisamos avançar, usando as armas espirituais. Precisamos ter a coragem e reavaliar nossos métodos.
Precisamos olhar à nossa volta, tentando encontrar o que está atrapalhando.
Precisamos achar um caminho simples que venha conduzir o povo de Deus até as águas tranqüilas e aos pastos verdejantes. Precisamos contextualizar a preocupação de Paulo: “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo” (2Co 11.3).
Estamos vivendo uma época quando os recursos ministeriais de multiplicam. São muitos os projetos eclesiásticos. Temos o auxílio da internet, cursos de capacitação, congressos, bons livros, apoio denominacional, etc. Mas o que deveria provocar nosso interesse em aprofundar e avançar, está se transformando num fim em si mesmo. Corremos o risco de nos tornarmos tão bem definidos, estruturados e organizados e ao mesmo tempo perdermos a noção da necessidade que temos de Deus. Precisamos tomar cuidado com a visão capitalista de ministério. “Propagandistas estão por aí mentindo para nós a respeito de como as congregações são e devem ser. Eles estão mentindo por dinheiro. Querem nos deixar descontentes com o que estamos fazendo a fim de que compremos deles uma solução que, prometem, irá restaurar a energia de nossas congregações” (Eugene Peterson).
No Novo Testamento, cada igreja tinha um perfil e orientações específicas. Um exemplo são as sete igrejas da Ásia. Os elogios e advertências foram direcionados à realidade de cada congregação. A única mensagem comum foi: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Será que alcançaremos os objetivos de Deus sem ouvir o Espírito Santo? Faremos diferença com as orientações dadas por terceiros? Conseguiremos discernir o mundo espiritual com metodologias humanas? Aonde chegaremos sem as orientações especificas de Deus?
Através de Jeremias, Deus disse ao povo: “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes”. Precisamos restaurar a nossa fé e com isso restabelecer nosso contato com o Senhor, que supre a igreja. Precisamos, como líderes, ter coragem e autoridade para dizer aos liderados: “O Senhor pelejará por nós”. Não temos opção!
Precisamos confiar em Deus e depender dele. “Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (Hb 10.38).
Objetivos frustrados, dificuldades financeiras, desânimo, conflitos entre irmãos são indícios de que as coisas não então indo bem. Precisamos nestes casos ter a coragem de fazer algumas perguntas, pedindo sempre a Deus que nos mostre um caminho seguro a seguir.
• A visão é realista?
• Os projetos são espirituais? Estão nascendo na presença do Senhor?
• Os recursos estão sendo administrados com diligência?
• Há compromisso com os valores do Reino de Deus?
Seguir no ministério “buscando primeiro” o reino de Deus será sempre um caminho seguro. Na fartura e também nas dificuldades provaremos da provisão do Senhor. Precisamos avançar, os dias são maus.
“Deus afirmou que os céus e a terra irão passar, mas sua Palavra nunca passará. Ele nos ama e está preocupado com todos os aspectos de nosso viver, com cada necessidade nossa. É cuidando de nós que ele prova, para o mundo e para nós mesmos, a realidade do seu poder” (Loren Cunninghan).
Pr. José Gomes da Silva Filho
Igreja Batista em Ponte Preta - Queimados - RJ