A Espiritualidade de uma Gestão Eficaz Imprimir
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Escrito por Darci Dusilek   
Finalmente descobriram que as coisas que fazemos – bem ou mal – têm princípios espirituais operantes que determinam os resultados. Basta citar a conferência proferida nos dias 20 e 21 de março por James Hunter no Rio de Janeiro e em Macaé. A ênfase de James Hunter tem sido a de destacar os exemplos bíblicos de gestão e liderança encontrados nas narrativas dos Evangelhos sobre a vida e ministério de Jesus.

Mas existe uma chamada “espiritualidade” que se pode aplicar à gestão eficaz de uma empresa qualquer? Quando falo empresa não posso deixar de reconhecer o fato de que uma igreja, ao lado dos seus aspectos místicos, constitui uma entidade empresarial. As recentes ênfases encontradas em movimentos tipo igreja com propósito e suas variantes nos dão conta das amplas oportunidades de missão quando se adota uma metodologia que, sem deixar de lado os aspectos mais propriamente teológicos, abre espaço para a aplicação de uma metodologia essencialmente social na vida e ministério da igreja.

Quais seriam esses princípios? Devo deixar claro que essa é apenas uma indicação inicial e que não pretende ser completa. Posteriormente, devo lançar livro específico sobre o assunto. Vamos ver:

1.     Uma visão teleológica dos processos históricos. A história não se esgota no visível e aparente. A Bíblia nos dá conta que a história é teleológica, ou seja, tem propósito. Uma gestão eficaz parte do princípio que os processos gerenciais têm propósito e devem ser alcançados.

2.     Uma visão cristã do valor incomensurável do ser humano. Uma gestão eficaz passa pelas pessoas e as considera, do ponto de vista cristão, como a obra prima de Deus. Os relacionamentos construídos nessa base funcionam como uma espécie de cimento a unir as pessoas em torno do propósito da organização. As pessoas sentindo-se valorizadas participam ao extremo pelo desejo de ver os objetivos atingidos. Sentem-se sujeitos do processo e não apenas objetos manipulados.

3.     Uma profunda visão de responsabilidade perante Deus, diante das pessoas da organização, e diante da sociedade como um todo. Uma gestão eficaz, do ponto de vista da espiritualidade cristã, é responsável pela maneira como se lida com os recursos naturais, por exemplo. Procura preservar o meio-ambiente e desafia as pessoas a que façam o mesmo.

4.     Uma visão cristã da provisoriedade dos processos e das estruturas organizacionais. Todas as estruturas e metodologias são adequadamente colocadas na categoria de coisas provisórias. Podem e devem ser modificados ao longo do processo histórico. Não há, por assim dizer, estrutura final ou absoluta. As pessoas devem se sentir livres para inovar e experimentar coisas novas. Esse é um desafio tipicamente cristão. Afinal, somos parte do Reino de Deus que nos fala de um Evangelho que nos faz participantes em Cristo de uma nova criação (II Coríntios 5.19); as coisas velhas já passaram e tudo se faz novo.

5.     Visão clara do sentido de oportunidade que o presente coloca diante de nós. O tempo que se chama hoje é um tempo de oportunidades incontáveis. Devemos ser receptivos à voz e atuação do Espírito Santo de Deus que está sempre a nos desafiar para que assumamos nosso verdadeiro papel de “porteiros do amanhã”, de liderança no processo histórico, até que venha o tempo em que “toda língua confessará, de joelhos dobrados, que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus o Pai”(Filipenses 2.1-12).

 

 Pr Darci Dusilek
Formado em Teologia pelo Seminário do Sul,
licenciado em Filosofia, Ciências e Letras,
especialista em documentação científica pela UFRJ,
mestre em Ciência da Informação pela UFRJ,
com especialização em Educação à Distância pelo SENAC.